quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Hoje é o dia em que é admitido mais um colega na página em branco e será recebido de braços abertos nesta doce senilidade que é ser real há quem diga que a luta é intestina e cada vez mais sofisticada como convém não te rias Nobel não estou a ser cínico mas há sofisticação em ser-se real e um escritor será hoje coroado por esse presente envenenado que desde a noite dos tempos ilumina o desconhecido
Se não me causa estranheza não haver quem recuse o prémio Nobel estranho me parece não haver partilha no prémio Nobel da literatura como se pratica nas outras belas e reais artes
sábado, 26 de setembro de 2009
do alto do meu estado moribundo mas crítico continuo a lutar contra esse grande irmão bicho hoje com vinte máscaras que toma decisões de importância vital para cada mais pessoas esfaimadas da sua liberdade individual e bem de pensar mete dó observá-los parecem crianças- soldado agarrados ao poder e sempre a mendigar por mais para depois nos ferrarem até à morte a nossa dignidade de cidadãos da liberdade e da democracia sem nunca admitir a culpa dos suas decisões assassinas
talvez uma pequena falha humana mas nunca a culpa que vai toda para esse "alto funcionário" Caim que no outro dia me visitou em sonhos pensando eu que vinha anunciar-me o fim da história pela enésima vez ou que iria dar à luz pela enésima centésima sexagésima sexta vez o anticristo seu pai e violador
mas não estava apenas com a mania de perseguição e de todos os efeitos secundários duma contra-psicanalise pós-moderna que tinha medo de andar à noite na cidade pois podia ser enrabado pelos filhos e netos desta sociedade sem principios nem valores comecei por não acreditar no que estava a sonhar e enrolei-lhe a algália no pescoço e fui surpreendido pela sua força demoníaca que se não fosse Nobel a socorrer-me deste banho de suores frios negros e fecais estariam todos a lamentar o meu desaparecimento e o vazio eterno que isso provocará na democracia crítica
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
A corrida ao silicone continua a dar votos e encher parlamentos a Europa é uma serpente de silicone e passa os dias em solários para disfarçar o cancro que lhe vai na alma
Continuo a ser visitado por personagens e vozes de textos de outros autores e que me confessam os maus tratos a que são sujeitos para que os livros tenham aceitação pública prémios Nobel sorri e prestígio internacional
Não entro nesse jogo
Em Portugal os poetas cospem-se mutuamente
Os pensadores escondem-se dentro de armários a pensar o já pensado até à exaustão
Os cientistas são vedetas do espectáculo instantâneo onde aconselham a melhor maneira do espectador senil a ter um corpo e mente sã ao mesmo tempo que descobriram a escrita criativa de auto-ajuda e terapêutica
Os artistas plásticos desfazem em instalações vídeo para dourar a pílula a quem vive na cauda da Europa
E o resto uma enorme feira medieval cercada por aterros
sanitários onde os seus directores abrem bibliotecas com os livros que os consumidores adquirem por engano a peso onde o infantil Magalhães não tira os olhos do Youtube onde passa o vídeo onde essa Coisa italiana exibe o “seu” pizza de silicone castrado em pseudo-orgia a paparazzi pagos para o efeito
Entretanto e segundo as últimas noticias o povo continua a ter razão a cadeia não foi feita para os cães que continuam a ladrar a bondade da sua corrupção e a legitimidade da censura a bem da liberdade de expressão porque a liberdade deve ter limites e a democracia a sua prostituta
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Hoje recomendamos vazio assado na brasa cinicamente diz que deve ser cão dado que alguns restaurantes foram encerrados por servirem cão
Não muito longe um cartaz político anuncia que estamos dentro de mais um ciclo eleitoral
É preciso renovar a classe política a velha é arguida e está em casa com uma correia electrónica para não fugir para um offshore
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Algemado lá vou eu para a feira do livro dar uns autógrafos e falar das minhas conversas com deus
e todo um mundo bipolar de patetices dirão uns diarreia mental dirão outros sobre o meu estúpido trabalho que ninguém respeita nem lê dizem que as vendas vão dando para o prejuízo e claro falar mal de alguns colegas de ofício deste santo ofício de dizer escrever a verdade e de ter uma ligação aos patéticos problemas do nosso pequeno mundo bem muito bem contem comigo mas só vou algemado e com uma máscara só assim me sinto bem fora do meu meio-ambiente natural a realidade só assim me sentirei capaz de estar umas horas aberto ao público que não tem tempo para ler mas que compra livros nem que seja para os mandar para o lixo e é com agrado que muitos dos meus livros têm aparecido nos aterros sanitários tal como foram adquiridos repito em bom estado de conservação repito ainda com o preservativo o que é óptimo depois deste retirado estará como novo mas não são só os meus mas também os dos meus colegas bem é bom saber que junto a cada aterro sanitário está a nascer uma biblioteca a minha vinda ao mundo já teve alguma utilidade tanto mais que uma outra tem o meu nome e em breve segundo agendou Nobel exige a minha presença estão há espera de que a população saiba ler e escrever através das novas oportunidades para que o diálogo seja possível
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Ponto final parágrafo o monstro seduz-nos desajeitadamente pelo vazio da nossa época alguém sai do escuro e não pára de tossir e admite apesar de tudo que somos todos testemunhas do impossível está a corrigir as provas de uma biografia não autorizada dum homem de bem e onde é desenvolvida uma narrativa recheada de factos comprovados por documentos devidamente fundamentados tem de novo um ataque de tosse não pode adiantar mais nada dado o carácter deontológico da sua actividade nas entrelinhas dá para entender que o dito homem de bem não passará de um monstro e volta de novo a dissolver-se no escuro
Nobel lembra-se desta personagem comum a todo aquele que vê e que se rodeia por todos aqueles que olham e a cegueira exerce-se para lá dos limites do finito mas para cá do indizível e se a morte essa vaca nos reúne para lá dos limites dentro do segredo da sua visibilidade o poeta retalha com a faca dessa experiência demoníaca e que a fé domestica a caminho da montanha lendo os mais recentes livros de auto-ajuda «porque cada um de nós, nós todos, no segredo das nossas vidas, estamos sozinhos na criação de nós próprios, através de obras, cujo desejo nasce das nossas histórias únicas.» N. Jeammet
Levanto-me para apanhar uma cereja não é uma cereja mas um berlinde um olho de vidro chamo pelo revisor de provas que sai imediatamente do escuro e sim o olho de vidro é dele já o tinha dado como perdido voltou a esconder-se na criação da sua solidão