quarta-feira, 24 de março de 2010

cedo ou tarde acontece
a máquina do tempo
abandona
o ser
como a cobra
abandona a sua pele
o limite que se alcança ao escrever é o de alguém que evita ser devorado pela máquina do tempo

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um dia destes dou-te um tiro fala-me apontando-me a minha própria pistola o meu próprio Eu estou a sonhar o meu alter ego chora não quer morrer

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A televisão é o meu caixão a minha máquina sem tempo agora reduzida a plasma onde as figuras se reduzem a caveiras de tal maneira que ontem num enorme plasma vejo imagens dos nossos conselheiros de estado reunidos à volta do nosso país eternamente cadáver e todos eles me parecem animadores felizes desse monstro que é o capital reduzido à autojustificação e sorriem como se estivessem a ser pagos para fazerem o favor de serem felizes e com soluções para os últimos dias do humanismo com rosto humano numa casa de repouso que é Europa que foi submetida a uma operação de seis horas onde foi instalada uma banda gástrica para poder continuar a admitir na sua alcova os sapos lusos espanhois e gregos que bonito seria vê-los a acenarem com a bandeira nacional para os abutres que sobrevoam o meu cérebro dentro de um crânio de video

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Musa mostra-me a prova de sangue de que está grávida e não quero acreditar uma musa grávida ponto de interrogação não quero acreditar és tu Nobel fumaste erva e quando o fases começas a vestir a roupa da tua mãe sim é verdade caro leitor desculpem esta inconfidência mas tenho que ter a certeza que esta vaca está grávida mas ele não me responde logo tento esclarecê-los que com esta idade mas tenho que acordar e onde é que coloquei a arma mais um ponto de interrogação entre muitos olha entre eles cá está ela aprendi com os gajos da pide que me interrogavam intimidando-me com uma pistola e agora cá estou eu a fazer esse lindo serviço com a minha consciência e começo a disparar em todas as direcções do romance como um possuído ou bloqueado perante a morte tendo como banda sonoro o choro de um recém-nascido e acordo entre pontos de interrogação e com um recém-nascido do tamanho do livro do desassossego espera lá estou a sonhar com o Fernando Pessoa disfarçado de minha Musa e acorda-me atirando-me um recém-nascido de cilicone e continuo a disparar contra a Musa que tal aranha subiu ao tecto e desfaz-se em bébés sobre mim é ela a vaca aqui do meu lado que pensa que sou pedófilo e encomendou semelhante bruxedo onde se meteu o Nobel ponto de interrogação

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

o futuro está no desespero e não há melhor condição do que cruzar os braços perante a tragédia

e ligar o número de apoio se não estou enganado são 0,60 cêntimos mais iva

e Deus dá à luz

mais um sobrevivente

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Estamos todos no fim no fim da teoria no fim da história e no fim de todos os fins onde os impossíveis infinitos entram em contradição com os seus programas unidirecionais para que se confunda progresso abismo e utopia o efeito borboleta da nossa impossibilidade de ter fim faz com que assassinemos o outro para melhor sobrevivermos ao nosso fim todos sofremos de intelectualidade mórbida ao teorizarmos sobre o nosso insubstituível fim