quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ouço vozes diz-me com um sorriso inútil há uns tempos que tal caçador de borboletas tento uma apanhar neste jardim de ilusões desfeitas e sonhos que a ciência recusa interpretar por estar sem
tempo tal como nós está a morrer e não tem vergonha de mostrar a sua impotência para a mais pequena e inútil questão humana ao contrário do escritor o cientista faz o cálculo das suas descobertas através da análise do cadáver do escritor

quarta-feira, 24 de março de 2010

A VÃ GLÓRIA DO POEMA

a lucidez não entra em flor
é matéria negra visível no invisível e impossível de usufruir
cedo ou tarde acontece
a máquina do tempo
abandona
o ser
como a cobra
abandona a sua pele
o limite que se alcança ao escrever é o de alguém que evita ser devorado pela máquina do tempo

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um dia destes dou-te um tiro fala-me apontando-me a minha própria pistola o meu próprio Eu estou a sonhar o meu alter ego chora não quer morrer

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A televisão é o meu caixão a minha máquina sem tempo agora reduzida a plasma onde as figuras se reduzem a caveiras de tal maneira que ontem num enorme plasma vejo imagens dos nossos conselheiros de estado reunidos à volta do nosso país eternamente cadáver e todos eles me parecem animadores felizes desse monstro que é o capital reduzido à autojustificação e sorriem como se estivessem a ser pagos para fazerem o favor de serem felizes e com soluções para os últimos dias do humanismo com rosto humano numa casa de repouso que é Europa que foi submetida a uma operação de seis horas onde foi instalada uma banda gástrica para poder continuar a admitir na sua alcova os sapos lusos espanhois e gregos que bonito seria vê-los a acenarem com a bandeira nacional para os abutres que sobrevoam o meu cérebro dentro de um crânio de video