quarta-feira, 6 de outubro de 2010

oitenta milhões de pobres

a europa não tem vergonha na cara come carne de canhão veste-se made in china e alimenta com comida dos ratos todas as vitimas da fome

terça-feira, 21 de setembro de 2010

os abutres vasculham poeticamente as minhas cinzas

aqueles que pelas costas e nas entrelinhas teorizaram a minha literária  mediocridade começam a vir a lume com as suas lágrimas de crocodilo tal sete cães a um osso dando razão à cadela da Agustina Bessa Luís aqueles que mais choram no vazio provocado pela tua ausência são os mesmos que pelas costas te esfaquearam

sábado, 18 de setembro de 2010

apesar das cinzas gosto de me voltear no túmulo

sexta-feira, 11 de junho de 2010

está tudo pela hora da morte aqui na feira do livro suportado pelo Nobel cá me arrasto entre derivados do livro e de toda uma fogueira de mediocridades que todos me olham como se fosse um monstro na Leia o Lobo Antunes sacode as moscas que entre autógrafos e gritinhos pedem conselhos conjugais na Porto editora o homem Dicionário justificativa-se carregado de lentes de contacto perante as feras as criancinhas que lhe atiram com as pernas de pau depois de devidamente lambidas

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ouço vozes diz-me com um sorriso inútil há uns tempos que tal caçador de borboletas tento uma apanhar neste jardim de ilusões desfeitas e sonhos que a ciência recusa interpretar por estar sem
tempo tal como nós está a morrer e não tem vergonha de mostrar a sua impotência para a mais pequena e inútil questão humana ao contrário do escritor o cientista faz o cálculo das suas descobertas através da análise do cadáver do escritor

quarta-feira, 24 de março de 2010

A VÃ GLÓRIA DO POEMA

a lucidez não entra em flor
é matéria negra visível no invisível e impossível de usufruir