domingo, 8 de janeiro de 2012
o sr Puta que vos pariu e o sr Pipi
Fala-se do absolutamente nada os olhos trocam-se por visões mais terra a terra aquela arte contesto interrogando narrativa onde o mercado do livro escolhe as suas divindades passadas os poetas não têm dúvidas toda a sua experiência é passada pela varinha mágica da impotência tudo o que nos rodeia neste subsolo bêbado de vozes dominadas pela demência da aldeia global mas as cabeças escreventes acotovelam-se dentro do mesmo império editorial a lavagem da linguagem com esse cagalhão anti-gripe das aves as imagens do nosso passado recente faz-me lembrar o filha da puta que caninamente mija sempre que passa pela minha campa sempre tive essa fantasia ser mijado por aqueles que me amam e afirmam ser meus representantes na literatura
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Morteshopping
estou morto mas inda procrio passeando pelos mundos dos vivos de cabisbaixo nas livrarias o mercado do livro insiste em defecar toda uma impostura recheada de publicidade enganosa os narratários desfazem-se em náuseas de quem viajou pelo mundo dos mortos confundindo-o com o seu próprio intestino humanamente metafórico e sintacticamente disfórico
sábado, 21 de maio de 2011
Todos somos restos mortais de Camões
Manuel António Pina parabéns deste cão de Agustina que Deus lhe dê vida e saúde que lucidez terá mais que perfeita mas fiquei todo orgulhoso pelo prémio Camões que a ti destinaram desta feita e digo-o com o sorriso que tu nunca gostaste mas perante os factos somos todos ingénuos e vitimas desse vil metal analfabeto e burro e amante das pequenas coisas que a vida literária proporciona na tua rua continuas a ser um zé-ninguém
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Querido Cornudo
quando vivo nunca foi minha preocupação o me interessar pela privada vida das minhas viúvas personagens mas agora sobra-me atenção dado que delas faço parte e custa-me vê-las assim abandonadas sem dó nem piedade em obscuras bibliotecas de aterros sanitários que naturalmente reflecte o mal estar da literatura do meu cadavérico país não sei sem falsa modéstia se ele renascerá através dos meus livros mas quem sabe dado o estado das coisas e nesta angústia aproximo-me da minha personagem favorita que incansável manuscreve todos os meus inéditos e sinto-lhe a inocente excitação e alimenta a sua fome masturbando-se
sábado, 16 de abril de 2011
o estado das fezes
estou farto de dar voltas no túmulo e de ler a promissora literatura sobre o dia da minha morte uma absoluta nulidade o meu país dialecticamente fodido está prestes a entrar noutro ciclo miserável o país de marinheiros seguido do dos poetas do quinto império do da águia do dos pequeninos do dos analistas do dos assessores etc etc etc é hoje pontapeado por tudo e por todos e ninguém mexe uma palha para defender a honra desta jangada vitima de violência doméstica duma Europa bipolar que se auto mutila para saciar esse monstro assumptivo o Estado esse Ninguém
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
o Ano da morte de Lobo Antunes, António
ao contrário dos críticos literários acredito plenamente o António está cada vez melhor escritor e a pertença sua a cerebral morte do romance que tal com deus está sempre a renascer das cinzas direi abusivamente mais das entranhas do homem que é tal crocodilo a tentar sobreviver nos seus próprios delírios sonhos pesadelos e toda essa imundice consciente que acumulamos na alma ao longo da vida na recente entrevista foi bom vê-lo a cofiar a morte como se fosse um gato em adiantado estado de decomposição
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