sábado, 17 de março de 2012

morte aos paraísos-nação

foto da escultura do artista australiano Sam Jinks. 
Chove finalmente e sinto-me no fundo do mar dum mar nunca antes navegado tal bêbado agarrado à idosa Grande Ilusão hoje possuída por Parkinson e o Alzheimer que tenta a todo o custo manter-se acima da linha d'água não restam dúvidas o sujo entranhado do capitalismo faz que a fé no capital seja a única democracia possível a sabedoria tecnológica faz-nos animais de carga do cadáver dessa idosa mumificada pela corrupção o mexilhão está sempre a ser assediado para este compromisso para este des-futuro e eterno retorno em nome   da técnica do quadrado onde o consumo e bem-estar deram à luz essa síntese louca entre os campos de concentração e os goulags que hoje mais parecem «paraísos»-nação.




domingo, 8 de janeiro de 2012

o sr Puta que vos pariu e o sr Pipi

Fala-se do absolutamente nada os olhos trocam-se por visões mais terra a terra aquela arte contesto interrogando narrativa onde o mercado do livro escolhe as suas divindades passadas os poetas não têm dúvidas toda a sua experiência é passada pela varinha mágica da impotência tudo o que nos rodeia neste subsolo bêbado de vozes dominadas pela demência da aldeia global mas as cabeças escreventes acotovelam-se dentro do mesmo império editorial a lavagem da linguagem com esse cagalhão anti-gripe das aves as imagens do nosso passado recente faz-me lembrar o filha da puta que caninamente mija sempre que passa pela minha campa sempre tive essa fantasia ser mijado por aqueles que me amam e afirmam ser meus representantes na literatura

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Morteshopping

estou morto mas inda procrio passeando pelos mundos dos vivos de cabisbaixo nas livrarias o mercado do livro insiste em defecar toda uma impostura recheada de publicidade enganosa os narratários desfazem-se em náuseas de quem viajou pelo mundo dos mortos confundindo-o com o seu próprio intestino humanamente metafórico e sintacticamente disfórico

sábado, 21 de maio de 2011

Todos somos restos mortais de Camões

Manuel António Pina parabéns deste cão de Agustina que Deus lhe dê vida e saúde que lucidez terá mais que perfeita mas fiquei todo orgulhoso pelo prémio Camões que a ti destinaram desta feita e digo-o com o sorriso que tu nunca gostaste mas perante os factos somos todos ingénuos e vitimas desse vil metal analfabeto e burro e amante das pequenas coisas que a vida literária proporciona na tua rua continuas a ser um zé-ninguém

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Querido Cornudo

quando vivo nunca foi minha preocupação o me interessar pela privada vida das minhas viúvas personagens mas agora sobra-me atenção dado que delas faço parte e custa-me vê-las assim abandonadas sem dó nem piedade em obscuras bibliotecas de aterros sanitários que naturalmente reflecte o mal estar da literatura do meu cadavérico  país não sei sem falsa modéstia se ele renascerá através dos meus livros mas quem sabe dado o estado das coisas e nesta angústia aproximo-me da minha personagem favorita que incansável manuscreve todos os meus inéditos e sinto-lhe a inocente excitação e alimenta a sua fome masturbando-se
enquanto as personagens se apedrejam pelo domínio da página em branco o escritor fala com o desconhecido ao telemóvel

sábado, 16 de abril de 2011

o estado das fezes

estou farto de dar voltas no túmulo e de ler a promissora literatura sobre o dia da minha morte uma absoluta nulidade o meu país dialecticamente fodido está prestes a entrar noutro ciclo miserável o país de marinheiros seguido do dos poetas do quinto império do da águia do dos pequeninos do dos analistas do dos assessores etc etc etc é hoje pontapeado por tudo e por todos e ninguém mexe uma palha para defender a honra desta jangada vitima de violência doméstica duma Europa bipolar que se auto mutila para saciar esse monstro assumptivo o Estado esse Ninguém