quinta-feira, 14 de junho de 2012
O meu cadáver é um livro em aberto
O meu cadáver está aberto ao solilóquio e a toda uma chuva de epígonos entretanto Portugual não se levanta do chão pois a qualquer tentativa é calcado e pontapeado por deus pátria e autoridade essa troika de cancros vitalícios
domingo, 22 de abril de 2012
O ano da morte de Manuel Alegre
O Manuel Alegre anda triste como a noite senta-se por aí e começa por tirar o aparelho da boca leia-se dentadura e fala comigo como se eu fosse uma árvore como ele costuma dizer pois ninguém o cala conhecemo-nos desde a noite dos tempos em que tudo era claro e às claras mas sabemos que não era nada assim o mesmo inimigo talvez mais identificável mas na flor da vida somos essa árvore que absorve oxigénio e liberta poesia
sábado, 7 de abril de 2012
PORQUE NÃO SOU CRUCIFIXO
uma alma caridosa pagã e temente ao Homem confessou-me que Judas terá dado este libertário crucifixo-canivete a quando do Beijo e que teria sido utilizado pelo Filho do Homem assim que chegara ao Santo Sepulcro para se libertar do pedregulho um objecto curioso que a mim me tem ajudado a escrever nas raízes da oliveira contra o Juízo Final
sábado, 17 de março de 2012
morte aos paraísos-nação
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| foto da escultura do artista australiano Sam Jinks. |
domingo, 8 de janeiro de 2012
o sr Puta que vos pariu e o sr Pipi
Fala-se do absolutamente nada os olhos trocam-se por visões mais terra a terra aquela arte contesto interrogando narrativa onde o mercado do livro escolhe as suas divindades passadas os poetas não têm dúvidas toda a sua experiência é passada pela varinha mágica da impotência tudo o que nos rodeia neste subsolo bêbado de vozes dominadas pela demência da aldeia global mas as cabeças escreventes acotovelam-se dentro do mesmo império editorial a lavagem da linguagem com esse cagalhão anti-gripe das aves as imagens do nosso passado recente faz-me lembrar o filha da puta que caninamente mija sempre que passa pela minha campa sempre tive essa fantasia ser mijado por aqueles que me amam e afirmam ser meus representantes na literatura
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Morteshopping
estou morto mas inda procrio passeando pelos mundos dos vivos de cabisbaixo nas livrarias o mercado do livro insiste em defecar toda uma impostura recheada de publicidade enganosa os narratários desfazem-se em náuseas de quem viajou pelo mundo dos mortos confundindo-o com o seu próprio intestino humanamente metafórico e sintacticamente disfórico
sábado, 21 de maio de 2011
Todos somos restos mortais de Camões
Manuel António Pina parabéns deste cão de Agustina que Deus lhe dê vida e saúde que lucidez terá mais que perfeita mas fiquei todo orgulhoso pelo prémio Camões que a ti destinaram desta feita e digo-o com o sorriso que tu nunca gostaste mas perante os factos somos todos ingénuos e vitimas desse vil metal analfabeto e burro e amante das pequenas coisas que a vida literária proporciona na tua rua continuas a ser um zé-ninguém
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Querido Cornudo
quando vivo nunca foi minha preocupação o me interessar pela privada vida das minhas viúvas personagens mas agora sobra-me atenção dado que delas faço parte e custa-me vê-las assim abandonadas sem dó nem piedade em obscuras bibliotecas de aterros sanitários que naturalmente reflecte o mal estar da literatura do meu cadavérico país não sei sem falsa modéstia se ele renascerá através dos meus livros mas quem sabe dado o estado das coisas e nesta angústia aproximo-me da minha personagem favorita que incansável manuscreve todos os meus inéditos e sinto-lhe a inocente excitação e alimenta a sua fome masturbando-se
sábado, 16 de abril de 2011
o estado das fezes
estou farto de dar voltas no túmulo e de ler a promissora literatura sobre o dia da minha morte uma absoluta nulidade o meu país dialecticamente fodido está prestes a entrar noutro ciclo miserável o país de marinheiros seguido do dos poetas do quinto império do da águia do dos pequeninos do dos analistas do dos assessores etc etc etc é hoje pontapeado por tudo e por todos e ninguém mexe uma palha para defender a honra desta jangada vitima de violência doméstica duma Europa bipolar que se auto mutila para saciar esse monstro assumptivo o Estado esse Ninguém
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
o Ano da morte de Lobo Antunes, António
ao contrário dos críticos literários acredito plenamente o António está cada vez melhor escritor e a pertença sua a cerebral morte do romance que tal com deus está sempre a renascer das cinzas direi abusivamente mais das entranhas do homem que é tal crocodilo a tentar sobreviver nos seus próprios delírios sonhos pesadelos e toda essa imundice consciente que acumulamos na alma ao longo da vida na recente entrevista foi bom vê-lo a cofiar a morte como se fosse um gato em adiantado estado de decomposição
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O polvo Paul
é triste o que se passa em Portugal meio literário incluido a Europa e todas as suas deprimentes instuições conseguiram transformar Portugal num caixote de lixo mas sem lixo onde a classe média deposita em saquinhos a honrar a defesa do ambiente do lixo europeu que obriga moralmental cada bom chefe de família a despejar lixo uma vez por dia mesmo que não o tenha que terá obrigatoriamente se não não é uma família europeia...um exemplo você sai de casa com um saco do lixo vazio claro com as mãos dentro de luvas protectoras e aproxima-se do fiel caixote que feda nausebundamente é um neologismo que o obriga a vomitar dentro do saco e claro a depositá-lo no caixote como quem hasteia a bandeira nacional claro que também as luvas...não muito longe dali no quarteirão todo ele feito como condomínio fechado há porrada da velha entre duas irmãs que bulheiam pelo mesmo vestido e par de sapatos agulha à Sarkosy...num outro é possível observar e ouvir uma velha senhora a vasculhar e a insultar o estado daquelas roupas contrafeitas sem botões e por vezes rotas e tal bruxa analizando as fezes do seu país...antigamente eram presos todos os desgraçados que deitavam pró lixo roupas em tal estado...e torturados até à morte...e...depois enterrados vivos e nus que de luxos o morto não precisa...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
o sr. Desassossego já não acrescenta mais nada
há quem diga outros acreditam mesmo que os mortos são mais activos à noite a minha infernal experiência e escrevo isto com sentido de humor mas sem querer ser cínico não tem passado dessa brincadeira infantil que é andar ao sabor do brinquedo imaginem um parque infantil onde as crianças brincam dispersando-se por vários objectos a tentar usufruir os seus limitados instintos e se quando velho olhava o estúpido movimento das nuvens há procura de um fio condutor para que a injustiça não fosse praticada com prazer continuo a não saber transmitir outra coisa senão a revolta impotente de todo o meu desassossegado trabalho onírico ao ver o sr. Desassossego a deambular à volta do lugar comum de toda a tarefa literária os mortos também se revoltam
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
a Literatura e os cães
Vargas Llosa acaba de entrar todo jovial mais me parecendo o Alejandro Mayta nem de propósito e agora que tenho mais tempo para ler direi reler e só o faz quem lê nem de propósito escrevia eu que tinha começado a reler este fabuloso texto que é História de Mayta que narra via inquérito a vida do trotskista acima citado que intentou contra um Perú degradado e sombrio
à sua maneira e desde a Cidade e os Cães tem sido um piloto literário e digo-o por ter chegado cá no seu avião particular em voos picados e tangentes contra a estupidez humana
já sei que muitos cães já estão as rosnar na imensidão da página em branco
Nobel ajuda-o a transportar o saco de golfe
à sua maneira e desde a Cidade e os Cães tem sido um piloto literário e digo-o por ter chegado cá no seu avião particular em voos picados e tangentes contra a estupidez humana
já sei que muitos cães já estão as rosnar na imensidão da página em branco
Nobel ajuda-o a transportar o saco de golfe
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
oitenta milhões de pobres
a europa não tem vergonha na cara come carne de canhão veste-se made in china e alimenta com comida dos ratos todas as vitimas da fome
terça-feira, 21 de setembro de 2010
os abutres vasculham poeticamente as minhas cinzas
aqueles que pelas costas e nas entrelinhas teorizaram a minha literária mediocridade começam a vir a lume com as suas lágrimas de crocodilo tal sete cães a um osso dando razão à cadela da Agustina Bessa Luís aqueles que mais choram no vazio provocado pela tua ausência são os mesmos que pelas costas te esfaquearam
sexta-feira, 11 de junho de 2010
está tudo pela hora da morte aqui na feira do livro suportado pelo Nobel cá me arrasto entre derivados do livro e de toda uma fogueira de mediocridades que todos me olham como se fosse um monstro na Leia o Lobo Antunes sacode as moscas que entre autógrafos e gritinhos pedem conselhos conjugais na Porto editora o homem Dicionário justificativa-se carregado de lentes de contacto perante as feras as criancinhas que lhe atiram com as pernas de pau depois de devidamente lambidas
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Ouço vozes diz-me com um sorriso inútil há uns tempos que tal caçador de borboletas tento uma apanhar neste jardim de ilusões desfeitas e sonhos que a ciência recusa interpretar por estar sem
tempo tal como nós está a morrer e não tem vergonha de mostrar a sua impotência para a mais pequena e inútil questão humana ao contrário do escritor o cientista faz o cálculo das suas descobertas através da análise do cadáver do escritor
quarta-feira, 24 de março de 2010
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